Como se pode estimar o peso do feto?

2019-06-06 Off Por Rafael Souza

Como se pode estimar o peso do feto?

Não é possível pesar o feto no útero. É, portanto, através da biometria, isto é, a medição do feto na ultrassonografia, que se pode ter uma estimativa do peso fetal. Isso é feito durante a segunda ultrassonografia (em torno de 22 semanas) e a terceira ultrassonografia (em torno de 32 semanas).

Os gêmeos falsos: o que são gêmeos dizigóticos?

 

O praticante medirá diferentes partes do corpo do feto:

  • perímetro cefálico (PC ou HC em inglês);
  • o diâmetro bi-parietal (BIP);
  • o perímetro abdominal (PA ou AC em inglês);
  • o comprimento do fêmur (LF ou FL em inglês).

Esses dados biométricos, expressos em milímetros, são inseridos em uma fórmula matemática para obter uma estimativa do peso fetal em gramas. É a máquina de ultra-som fetal que faz esse cálculo.

Existem cerca de vinte fórmulas de cálculo, mas na França, as de Hadlock são as mais usadas. Existem várias variantes, com 3 ou 4 parâmetros biométricos:

  • Log10 PFE = 1,326 – 0,00326 (CA) (FL) + 0,0107 (HC) + 0,0438 (CA) + 0,158 (FL)
  • Log10 EPF = 1,3596 + 0,0064 PC + 0,0424 PA + 0,174 LF + 0,00061 BIP PA – 0,00386 PA LF

O resultado é indicado no relatório de ultrassonografia com a indicação “EPF”, para “Estimativa do peso fetal”.

Esta estimativa é confiável?

O resultado obtido, no entanto, permanece uma estimativa. A maioria das fórmulas foi validada para pesos de nascimento de 2.500 a 4.000 g, com uma margem de erro em relação ao peso real ao nascer de 6,4 e 10,7% (1), devido em parte da qualidade e precisão dos planos de corte. Vários estudos também mostraram que, para bebês com baixo peso (abaixo de 2.000g) ou bebês grandes (acima de 4.000g), a margem de erro foi maior que 10%, com uma tendência de superestimar os bebês. de pequeno peso e ao contrário subestimar os bebês grandes.

Por que precisamos saber o peso do feto?

O resultado é comparado com as curvas de estimativa de peso fetal estabelecidas pelo Colégio Francês de Ultra-Som Fetal (3). O objetivo é detectar fetos fora da norma, localizados entre os percentis 10 e 90 . A estimativa do peso fetal possibilita detectar esses dois extremos:

  • hipotrofia, ou pequeno peso da idade gestacional (GWP), ou seja, um peso fetal inferior ao percentil 10 por idade gestacional dada ou um peso inferior a 2.500 g a termo. Este TAP pode ser a consequência de uma patologia materna ou fetal ou uma anomalia uteroplacentária;
  • macrossomia, ou “gordura de bebê” isto é um bebê maior peso fetal ao percentil 90 para a idade gestacional, ou dado a um peso à nascença superior a 4 000 g. Esse monitoramento é importante no caso de diabetes gestacional ou diabetes pré-existente.

Estes dois extremos são situações de risco para o feto, mas também para a mãe em caso de macrossomia (aumento do risco de cesariana, hemorragia do parto em particular).

Uso dos dados para monitorar a gravidez

A estimativa do peso fetal é um dado importante para adaptar o seguimento do final da gravidez, o curso do parto, mas também o possível cuidado neonatal.

Se durante o terceiro ultrassom, a estimativa do peso fetal for menor que a norma, um ultrassom de controle será realizado durante o 8º mês para monitorar o crescimento do bebê. No caso de uma ameaça de parto prematuro (MAP), a gravidade do parto prematuro será estimada por termo, mas também pelo peso fetal. Se o peso ao nascer estimado é muito baixo, a equipe neonatal vai colocar tudo no lugar para cuidar do bebê prematuro desde o nascimento.

O diagnóstico de um macrosomia também modificará a gestão do fim da gravidez e parto. Um ultrassom de controle será realizado durante o 8º mês de gestação para fazer uma nova estimativa do peso fetal. Para reduzir o risco de distocia de ombro, lesão do plexo braquial e asfixia neonatal, aumentou muito em caso de macrossomia – 5% para um bebê com peso entre 4.000 e 4.500 ge 30% para um bebê 4.500 g (4) – tropeço programado ou cesariana podem ser oferecidos. Assim, de acordo com as recomendações da Alta Autoridade de Saúde (5):

  • na ausência de diabetes, a macrossomia não é, em si, uma indicação sistemática de cesariana planejada;
    recomenda-se cesariana programada se o peso fetal estimado for maior ou igual a 5.000 g;
  • devido à incerteza da estimativa do peso fetal, para uma suspeita de macrossomia entre 4.500 ge 5.000 g, a cesariana planejada deve ser discutida caso a caso;
    na presença de diabetes, recomenda-se cesariana programada se o peso fetal for maior ou igual a 4.500 g;
  • por causa da incerteza do peso fetal estimado, por suspeita de macrossomia entre 4250 g a 4500 g de cesariana electiva é discutir caso a caso, tendo em conta outros critérios relacionados com a patologia e contexto obstétrico;
  • a suspeita de macrossomia não é em si uma indicação sistemática de cesariana programada em caso de útero cicatricial;
  • se houver suspeita de macrossomia e história de distocia de ombro complicada por alongamento do plexo braquial, recomenda-se uma cesariana programada.

Se uma pista for tentada, a equipe obstétrica deve estar completa (parteira, obstetra, anestesista e pediatra) durante o parto considerado de risco em caso de macrossomia.

Em caso de apresentação na sede, a estimativa do peso fetal também é levada em consideração no momento da escolha entre uma tentativa de via baixa ou uma cesariana programada. Um peso fetal estimado entre 2.500 e 3.800 gramas é um dos critérios de aceitabilidade do baixo caminho estabelecido pelo CNGOF (6). Além disso, uma cesariana pode ser recomendada.