Gerenciando o Transtorno Bipolar Durante a Gravidez

2018-11-22 Off Por Rafael Souza

Para as mulheres que sofrem com o transtorno bipolar, a gravidez pode ser um momento especialmente vulnerável e até mesmo difícil – mas é importante saber que você pode ter sim uma gravidez saudável, e dar a luz a um bebê saudável com os cuidados corretos. 

Se você recebeu um diagnóstico de transtorno bipolar antes ou mesmo durante a gravidez, é sempre recomendado conversar com seu médico – mesmo que você não esteja planejando ter nenhum filho por anos. Ao fazer isso, sua medicação e também seu tratamento podem ser escolhidos com uma potencial gravidez em mente.

Gerenciando o Transtorno Bipolar Durante a Gravidez

Quando você está grávida, uma abordagem de uma equipe multi disciplinar coordenada – envolvendo um psiquiatra, obstetra, possivelmente um assistente social e também outros profissionais – pode ajudá-lo a ter uma gravidez saudável e conseguir dar a luz a um bebê saudável.

Você deve continuar tomando sua medicação ?

Se você está pensando em começar ou mesmo aumentar sua família, há uma boa chance de saber se deve ou não continuar tomando os medicamentos prescritas pelo seu médico, questão essa levantada durante suas consultas.

Por preocupação com seu bebê, você pode ser tentada (ou mesmo pressionada por um parceiro ou marido) a simplesmente parar de tomar sua medicação quando engravidar. Mas é melhor conversar sempre antes com seu psiquiatra e também com seu obstetra – idealmente antes mesmo de começar a tentar engravidar – para conseguir assim receber o tratamento individualizado mais eficaz, para o seu caso.

Ao considerar se deve continuar a tomar a medicação ou mesmo interromper seu uso durante a gravidez, eles podem ajudar a avaliar os riscos potenciais para um bebê em desenvolvimento, contra os riscos de doenças não tratadas.

Embora alguns medicamentos comuns indicados para o transtorno bipolar estejam associados a um risco aumentado de defeitos congênitos, incluindo alguns problemas cardíacos também de tubo neural, seu médico pode aconselhá-la sobre sua melhor opção (os médicos geralmente preferem opções como o lítio, lamotrigina, olanzapina e quetiapina ao ácido valpróico ou mesmo a carbamazepina).

Seu médico de confiança pode ajustar sua dose e / ou recomendar interromper a medicação apenas durante o primeiro trimestre da gravidez, quando o feto se desenvolve de forma acelerada . E, dependendo da medicação, o médico também pode fazer um ecocardiograma fetal, ou mesmo uma ultrassonografia, para avaliar possíveis anormalidades.

Continue a consultar seu médico psiquiatra regularmente durante a gravidez e também depois, para que ele possa detectar uma possível recaída bipolar o mais cedo possível, e quem sabe, evitá-la.

Problemas bipolares durante a gravidez

Um grande motivo para ficar sempre em contato próximo com a equipe responsável pela sua gravidez: A maioria das mulheres sofrerá uma recaída bipolar durante a gravidez ou mesmo no período pós-parto, e as recaídas podem de fato serem graves e difíceis de tratar durante a gestação.

Novas pesquisas sugerem que a taxa de recaída é substancialmente mais elevada para as mulheres que param o tratamento. Então, se você perceber que está começando a sentir  sintomas de depressão (ficando triste, desesperado ou desamparado; tendo pensamentos suicidas) e / ou manias (extrema felicidade; agitação, insônia ou mesmo uma fala rápida; engajar-se em comportamentos de risco), fale com sua equipe médica imediatamente.

Ele ou ela pode te indicar um tratamento que pode ajudar a proteger você e seu bebê.

Terapia eletroconvulsiva

Se você tiver um tendo um ciclo depressivo ou um ciclo maníaco grave, seu médico poderá considerar a uma terapia de eletroconvulsoterapia (ECT) ou doses controladas de eletricidade, que induzem convulsões curtas. ECT pode auxiliar a mudar a química do cérebro, provocando alterações no crescimento dos neurônios no hipocampo, hormônios e também nos níveis de dopamina.

O que você precisa saber

Além de sempre estar em contato com seu médico, é uma boa ideia perguntar a algumas pessoas do seu círculo, em quem você confia, e que a conhecem bem, se puderem ajudar a ficar de olho nos sintomas, mesmo os mais leves, de uma recaída durante a gravidez. Dessa forma, se necessário, eles podem ajudar você a identificar quando precisar de ajuda.

Felizmente, há uma perspectiva feliz para a maioria dos casos: com o tratamento correto, você pode ter sim uma gravidez saudável – o que significa que, em pouco tempo, você estará segurando seu pequeno bebê cheia de alegria em seus braços.