Retenção de Placenta – Quais as causas e os tratamentos efetivos

2019-01-17 Off Por Rafael Souza

Saiba mais sobre essa condição rara, mas que existe tratamento, que pode surgir durante a fase final do trabalho de parto.

Nunca haverá duas gestações idênticas, e sendo assim, é impossível prever de maneira exata como vai ser o dia do parto. Enquanto filmes e programas de TV costumam mostrar o trabalho de parto como um processo que envolve apenas empurrar, gritar e depois um final sempre feliz, com uma nova mãe, segurando em seus braços um lindo bebê sorridente,  na coisa real é quase sempre completamente diferente.

Você pode estar preocupada que algo vai sair errado durante o processo de parto, e também você já deve ter ouvido falar de uma complicação durante gravidez bastante rara, chamada de placenta retida. Mas pode ficar um pouco mais tranquila, pois é extremamente improvável que aconteça com você durante sua gravidez, e também porque é totalmente tratável – e não pode ferir seu bebê.

Retenção de Placenta - Quais as causas e os tratamentos efetivos

 

O que é retenção de placenta?

Uma placenta considerada “retida” é uma complicação bastante incomum, que ocorre em apenas 2 a 3% de todos os partos que acontecem, e surge quando uma porção da placenta é deixada para dentro do útero, depois do nascimento do bebê.

Durante toda a gravidez, a placenta é presa ao revestimento uterino para permitir o transporte de nutrientes, oxigênio, dióxido de carbono e também água do sangue da mãe até o bebê. A placenta é composta por seções, cada uma conectada ao cordão umbilical por seu próprio conjunto de vasos e uma membrana bastante fina, de uma camada dupla que forma um saco quase totalmente transparente ao redor do feto.

Um parto normal é formado por três fases : parto precoce, que ocorre quando o colo do útero está dilatado a cerca de 3 cm; a fase de trabalho de parto ativo, que se estende até o colo do útero chegar a 7 cm; e a transição do parto, que ocorre quando o colo do útero está dilatado totalmente, cerca de 10 cm, e ocorre a tão temida hora de empurrar o bebê para fora do seu corpo. Após a entrega do bebê ocorre a expulsão placentária, que é quando a placenta é separada durante as contrações uterinas.

A expulsão placentária quase sempre ocorre dentro de 15 a 30 minutos depois do parto, seja por via vaginal (normal) ou por cesariana. Pode ocorrer, porém, que alguma parte da placenta fique retida na parte de dentro do útero, quase sempre acontece porque uma porção cresceu através do músculo uterino ou ficou “presa” dentro de um canto do útero à medida que se contrai. Quando a placenta não é separada do corpo intacta ou mesmo quando a expulsão da placenta não ocorre de 30 a 60 minutos depois da entrega do bebê, acontece a chamada retenção de placenta.

Quem está em mais risco de sofrer a retenção de placenta?

As mulheres que, possivelmente, estão em mais risco de sofrerem com a retenção de placenta são aquelas que já tiveram:

  • Um parto cesário anterior
  • Um parto prematuro, cuja entrega do bebê aconteceu antes de 34 semanas
  • Um bebê natimorto
  • Algum tipo de anormalidade uterina
  • Um longo primeira ou mesmo segunda fase do parto
  • E também aquelas que já sofreram de retenção da placenta durante um parto anterior

Existem diferenças entre os tipos de placenta retida?

Existem três tipos de retenção de placenta:

  • Placenta aderente, que ocorre quando a placenta não se desliga naturalmente de dentro do útero, num espaço de tempo de 30 a 60 minutos logo após o nascimento do bebê.
  • Placenta retida, que ocorre quando a placenta se desliga do útero, mas não sai de forma natural do corpo da mãe. Isso pode acontecer quando o colo do útero inicia o fechamento  antes que toda a placenta já esteja excretada.
  • Placenta acreta , que ocorre quando a placenta surge na camada mais funda do útero, e assim se torna incapaz de desligar-se naturalmente do órgão. Este é o tipo mais perigoso entre todos, esse tipo de retenção de placenta é a mais séria e pode levar a uma histerectomia e transfusões de sangue.

Quais são os sintomas e sinais da placenta retida?

O sinal mais simples de detectar um caso de placenta retida é quando o órgão que alimenta seu bebê durante toda a a gravidez não é se separa naturalmente no espaço de 30 e 60 minutos logo após o parto.

Se alguns pedaços da placenta não tiverem sido excretadas dias ou mesmo semanas após o parto, você poderá ter vários sintomas, incluindo:

  • Febre alta
  • Sangramento intenso, com casos de coágulos sanguíneos
  • Cólicas  e dores abdominais
  • Uma descarga líquida fétida

Quais são as complicações da placenta retida?

Como a placenta retida só ocorre após o nascimento, não há repercussões negativas para o bebê.

Porém, a placenta retida pode ser arriscada para a mamãe, principalmente se quiser ter outro bebê. No período que ocorre entre o parto e o estágio em que a placenta é expulsa pelo útero da mãe, pode haver casos de sangramento excessivo e também hemorragia pós-parto , o que pode causar a uma perda significativa de sangue, o que coloca a mãe em risco de precisar de uma transfusão sanguínea emergencial, bem como medidas para interromper o fluxo.

Os centros de trabalho de parto são treinadas para a rotina correta de cuidados para determinar por que e se uma mãe está sangrando mais do que deveria, e assim controlar a hemorragia o mais breve possível.

Em uma menor escala, se a placenta retida for considerada muito pequena e não houver algum sangramento anormal, o sangramento pós-parto pode acontecer por mais tempo que o esperado. Um sangramento excessivo que se inicia cerca de 10 a 12 dias logo após o parto pode causar cólicas anormais e também dores intensas, de 2 a 3 semanas depois do parto.

Dez a doze dias logo após o parto é quando, em média, a “crosta” da placenta geralmente cai, o que quase sempre passa despercebido pela mãe, porque o útero já está se tornando menor. Mas se também acontecer um caso de infecção ou uma pequena parte da placenta ficar retida, um novo sangramento de sangue vermelho brilhante pode acontecer, tornar-se mais constante e levar a uma visita ao pronto-socorro mais próximo.

Como a placenta retida é tratada pelo médico?

O tratamento requer apenas a remoção dos pedaços da placenta restantes, que acabaram ficando dentro do útero da mãe. Logo após o parto, esta parte presa pode ser retirada manualmente ou mesmo através de um instrumento médico. Se essa retirada acontecer dias após o parto, é considerado mais seguro remover a última porção do tecido placentário com a ajuda de ultra-som para guiar o procedimento.

A placenta retida pode ser prevenida pela mãe?

Alguns estudos indicaram que técnicas como massagem uterina, medicamentos como a ocitocina e também a  aplicação de pressão conhecida como tração controlada do cordão à placenta podem trazer algum tipo de prevenção a retenção da placenta. Contudo, nenhum já foi comprovadamente usado como técnica para prevenir a retenção da placenta.

Lembre-se sempre: Todos esses cenários são extremamente improváveis ​​de ocorrer com você no seu lindo processo de parto. Mas quando acontece, você pode ter certeza que sua equipe médica saberá exatamente o que fazer para diminuir os riscos, e ajudá-la a começar com toda a segurança sua jornada de maternidade.